quarta-feira, 15 de julho de 2015

Feita pelo Peter Pan...


“Não, desta vez não era “uma vez um burro” mas sim duas vezes um burro que vivia em casa dos seus donos. Há muito que trabalhava para eles, e os donos já tinham muita confiança nele e não o prendiam. Um dia um gato perguntou-lhe há quanto tempo estava ali e o burro disse:
- Eu estou aqui desde que nasci. Mas não te vou dizer quantos anos tenho.
- Adeus, até à próxima. Os humanos vão matar-te.
O burro fingiu que ignorou aquele assunto, mas ficou a pensar nisso. Seria verdade?
No dia seguinte apareceu uma raposa que era muito pequena e tinha um olhar curioso. O que queria ela do pobre burro?
- Burro, burro! Como o próprio nome indica, tu és muito esperto e já devias saber que os teus donos te vão matar. Deves fugir enquanto podes.
- E como é que eu faço isso?
- É só pedires que eu abra a porta, e podes sair.
- Amanhã de manhãzinha?
- Ok. (Sim, os animais também usam esta linguagem)
O burro ficou ansioso e apercebeu-se que estava enervado: e se corresse mal?
Mas não podia correr melhor. O burro fugiu e começou a correr. A raposa pediu-lhe que viesse viver com ela e com o gato. O burro disse que sim, mas não sabia o que estava para vir: a condição era tirar 10 kg de comida fresca. O burro começou por ir a uma loja de rua, onde tirou toda a comida, achou que já tinha 10 kg, mas afinal ainda nem 3 tinha.
Acontece que o burro teve de roubar mais um bocado ali, outro acolá e outro acolí. Os donos de casa, quando se levantaram e não viram o burro, chamaram logo a polícia. A polícia já tinha tido queixas de outros assaltos de um burro e perguntou-lhes como era o animal. Os donos disseram que era grande e ligeiramente vaidoso. A polícia iniciou as buscas, que começaram a cercar toda a aldeia. O que eles não sabiam era que o burro estava a mais de 10 km. Só quando viram uma queixa de um assalto na vila mais próxima é que começaram as buscas num raio de 50 km.
Foram apertando aos poucos o cerco e o burro estava a ficar encurralado. Como iria fugir? (Sim, o burro já tinha percebido que a polícia andava atrás dele)
Escondeu-se numa casa, em que os donos não estavam e escondeu-se dentro do piano, sítio onde ninguém procuraria. Arrancou tudo e voltou a meter, para disfarçar e ninguém desconfiar.
A polícia também revistou a casa e procurou em todos os sítios, exceto no piano.
Toda a gente se assustou quando viram que o burro não estava naquele raio de km. Voltaram a procurar, e desta vez procuraram no piano, só que ele já não estava lá. Tinha-se escondido numa mala de um carro, que tinha ficado aberto enquanto o dono ia ver o correio. Deixaram o carro passar através das barreiras e 1 hora depois, o burro soltou-se sem que o condutor desse por isso. Entretanto já estava longe. Deixou de ter esperança da raposa e do gato mas, por outro lado, também começou a pensar que nunca a polícia procurasse ali.
Foi para uma casa que estava à venda e ficou lá durante um tempo.
A polícia apanhou a localização do burro através do seu cheiro, pois tinham-lhe metido uma bombinha de mau cheiro.
O burro ligou para o 112 e atenderam logo. Ele disse que estavam a assaltar a casa uns homens vestidos de polícias e para mandarem vir alguém. Houve pessoas que vieram logo e, com a confusão, o burro saiu.
Estava agora de noite e o burro tinha frio. Toda a gente o conhecia a nível local, por isso tinha de ir para o norte ou ir para outro país. Entrou num papa-reformas e começou a andar. Os papa-reformas eram mais lentos que os carros da polícia, mas ele era mais esperto. Metia-se por sítios que os carros grandes não passavam e, como o carro era fácil de andar, não bateu e nem se atrasou. Viu uma placa azul e branca. Dizia “PORTO”, mas como ele mal sabia ler, apenas leu “Port”. “Estou em Portugal”, pensou ele.
Depois achou que tinha lido “Orto” e, sem saber o que era, imaginou apenas que fosse o mais temido: Morto.
Tentou fugir daquele sítio. Tinha ainda mais frio e tinha de se esconder. Teve a triste ideia de se atirar ao riacho ali mais perto, para se esconder, só que a água estava muito fria e ele teve que fugir. A polícia estava a aproximar-se. O que iria acontecer?
O burro parou quando a polícia lhe bateu. Não sabia o que fazer. Tinha de mudar de país. Mas como?
Foi preso, mas sabia que bastava puxar e a corda desprendia-se.
Tudo era estranho. Como é que num dia a vida muda completamente?
Soltou-se pela estrada e começou a correr. Corria devagar, porque estava muito cansado. Leu uma placa que dizia “Espanha a 10 km”. Ele pensou que estava perto mas não esperava o que estava para vir.
Um grupo de pessoas que vinha de um jantar aproximava-se. Vinham a cantar, animados e muito vermelhos. Parecia que não notavam que o burro estava ali. Atropelaram o pobre coitado e só quando o burro bateu contra o vidro do carro é que as pessoas se aperceberam. Ligaram logo para a polícia. O burro não tinha muito tempo para fugir, mas como o motorista tinha excesso de álcool, teve de pagar multa. O burro fugiu no escuro. Relaxou quando entrou em Espanha, por baixo da barreira. Estava lá um túnel que ia dar ao outro lado.
Estava tudo perfeito até a altura em que o burro encontrou novos donos. Pensava que eram da polícia, mas quando viu as caras percebeu: era um casal que ele reconheceu de imediato. O casal da casa do piano! Estava lá uma fotografia deles.
Eles quiseram ficar com o burro e o burro também não ficou muito zangado por isso. Foi viver para uma quinta e tinha lá outros animais incluindo outros burros, que também queriam companhia.
Arranjou uma burrita e tiveram um filhinho.
Reza a lenda que um dia o burro vai soltar-se e vai ele com a burrita e o filho para mais uma aventura. E quando menos esperares ele vai aparecer-te à frente a pedir-te que lhe faças festas. Era um burro muito carinhoso.”
- Gostaste da história? 
Mas quando se virou o neto já estava num sono profundo…

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